Não foi desejo. Nem vontade, nem curiosidade, nem
nada disso. Foi sentimento. Não foi planeado, nem premeditado. Foi só um querer
estar perto e cuidar, carregar todas as dores e lágrimas como se fossem minhas.
A vontade e o desejo vieram depois, bem depois. Não foi um lance de corpo, foi
um lance de alma. Uma saudade e uma urgência daquilo que nunca se teve mas era
como se já tivesse tido antes. Foi amor. É amor…
Sei que o amor verdadeiro dá muito
trabalho. É como um full time sem folgas aos fins-de-semana e sem
ordenado no final do mês. É estar lá um para o outro, tanto nos dias em que
amamos, como nos dias em que estamos fartos. Não é feito de palavras nem de
grandes gestos românticos, mas de provas… e eu provei.
É difícil
encontrar uma pessoa que tome conta dos teus problemas como se fossem dela. É
raro encontrar um ombro para chorar, chorar e chorar, sem te preocupares com a
proporção que isso irá tomar. É preciso escolher a dedo quem carregar até o fim
dos dias. Poucos, acredita, bem poucos mesmo, irão oferecer-se para te levar
para sempre.
Alguns até te levam por uns dias, outros por
alguns meses, mas levar-te guardado no peito até que não exista mais ar nos
pulmões, apenas um ou dois o farão. Isso quer dizer que de entre mil pessoas
que trocam algumas palavras contigo, um ou dois merecem a tua total dedicação e
empenho. Somando todas as vezes em que o chão se abriu sob os teus pés, a
quantos recorreste? E quantos, por fim, te deram a mão? É isso. Esse
é o ponto que quero chegar. Não é toda a gente que te seguraria nos braços
se o céu desabasse. Assim como não é por toda a gente que tu te arriscarias
para salvar.
Fácil é ter alguém para rir e dar chapadinhas nas
costas. Difícil mesmo é encontrar alguém em quem se possa confiar
plenamente, de olhos fechados e mãos atadas. Por isso não desperdices o
que te querem dar, e não te feches a sete chaves como os cobardes como tu
fazem.
Lembra-te , para mim és tu, vais ser sempre tu. Vai ser sempre a tua voz, o teu feitio, os
teus defeitos. Vai ser sempre aquela música que faz todo o sentido quando me
lembro de ti, vai ser sempre o teu comportamento infantil ou adulto demais. Os
teus gostos, as tuas manias, as tuas carências. As tuas birras, o teu feitio
teimoso e incontrolável. A tua implicância, a tua arrogância e o teu orgulho.
Vai ser sempre essa tua mania de tentar fugir do mundo, o teu ciúme, a tua
falta de compreensão. Vão ser sempre os teus erros, os teus acertos. Sempre,
sempre. Quando eu acordar e quiser esconder-me de tudo ou quando for dormir e
só conseguir pensar em ti. Sempre. Mesmo que dê tudo errado, que as coisas
mudem, que o tempo passe. Sempre.
Eu vou sempre ter aquela necessidade de te
ter por perto mais do que a qualquer outra pessoa, vou sempre sentir a tua
falta mais do que eu pensei que fosse possível sentir de alguém um dia. Vou
querer sempre mais de ti, pedir mais de ti. Vou sempre fazer birra e cara feia,
dizer que não te quero mais e vou pedir baixinho os teus braços. Sempre. Mesmo
que as coisas saiam o contrário do que esperava-mos.
Não importa o quanto as coisas estejam difíceis.
Vais ser sempre tu que vais deixar tudo melhor, mesmo quando parecer
impossível. Vai ser sempre tu e eu, nós. Mesmo depois das discussões, dos
medos, da falta. Sempre. No final dá certo, espero eu...
Porque foste tu, és tu, serás tu. Nós,
juntos. E ninguém no mundo pode mudar isso.
Tenho medo sim, que encontres alguém melhor...
não sei , com mais maturidade do que eu, com menos orgulho, mais experiência e
menos ciúmes. Alguém que não seja um problema para ti. Alguém que facilite as
coisas, em vez de dificultar mais ainda, e que saiba as coisas certas para
dizer, na hora certa. Alguém que respeite teu tempo e o teu espaço. Mas, a
verdade? Encontrar alguém que te ame tanto ou mais do que eu, isso sim vai ser difícil
.
Lembra-te…és tu, e serás sempre tu .

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