segunda-feira, 4 de maio de 2015

Foste tu, és tu, serás tu


Não foi desejo. Nem vontade, nem curiosidade, nem nada disso. Foi sentimento. Não foi planeado, nem premeditado. Foi só um querer estar perto e cuidar, carregar todas as dores e lágrimas como se fossem minhas. A vontade e o desejo vieram depois, bem depois. Não foi um lance de corpo, foi um lance de alma. Uma saudade e uma urgência daquilo que nunca se teve mas era como se já tivesse tido antes. Foi amor. É amor…
 Sei que o amor verdadeiro dá muito trabalho. É como um full time  sem folgas aos fins-de-semana e sem ordenado no final do mês. É estar lá um para o outro, tanto nos dias em que amamos, como nos dias em que estamos fartos. Não é feito de palavras nem de grandes gestos românticos, mas de provas… e eu provei.
 É difícil encontrar uma pessoa que tome conta dos teus problemas como se fossem dela. É raro encontrar um ombro para chorar, chorar e chorar, sem te preocupares com a proporção que isso irá tomar. É preciso escolher a dedo quem carregar até o fim dos dias. Poucos, acredita, bem poucos mesmo, irão oferecer-se para te levar para sempre. 
Alguns até te levam por uns dias, outros por alguns meses, mas levar-te guardado no peito até que não exista mais ar nos pulmões, apenas um ou dois o farão. Isso quer dizer que de entre mil pessoas que trocam algumas palavras contigo, um ou dois merecem a tua total dedicação e empenho. Somando todas as vezes em que o chão se abriu sob os teus pés, a quantos recorreste? E quantos, por fim, te deram a mão? É isso. Esse é o ponto que quero chegar. Não é toda a gente que te seguraria nos braços se o céu desabasse. Assim como não é por toda a gente que tu te arriscarias para salvar. 
Fácil é ter alguém para rir e dar chapadinhas nas costas. Difícil mesmo é encontrar alguém em quem se possa confiar plenamente, de olhos fechados e mãos atadas. Por isso não desperdices o que te querem dar, e não te feches a sete chaves como os cobardes como tu fazem.
Lembra-te , para mim és tu, vais ser sempre tu. Vai ser sempre a tua voz, o teu feitio, os teus defeitos. Vai ser sempre aquela música que faz todo o sentido quando me lembro de ti, vai ser sempre o teu comportamento infantil ou adulto demais. Os teus gostos, as tuas manias, as tuas carências. As tuas birras, o teu feitio teimoso e incontrolável. A tua implicância, a tua arrogância e o teu orgulho. Vai ser sempre essa tua mania de tentar fugir do mundo, o teu ciúme, a tua falta de compreensão. Vão ser sempre os teus erros, os teus acertos. Sempre, sempre. Quando eu acordar e quiser esconder-me de tudo ou quando for dormir e só conseguir pensar em ti. Sempre. Mesmo que dê tudo errado, que as coisas mudem, que o tempo passe. Sempre.
 Eu vou sempre ter aquela necessidade de te ter por perto mais do que a qualquer outra pessoa, vou sempre sentir a tua falta mais do que eu pensei que fosse possível sentir de alguém um dia. Vou querer sempre mais de ti, pedir mais de ti. Vou sempre fazer birra e cara feia, dizer que não te quero mais e vou pedir baixinho os teus braços. Sempre. Mesmo que as coisas saiam o contrário do que esperava-mos. 
Não importa o quanto as coisas estejam difíceis. Vais ser sempre tu que vais deixar tudo melhor, mesmo quando parecer impossível. Vai ser sempre tu e eu, nós. Mesmo depois das discussões, dos medos, da falta. Sempre. No final dá certo, espero eu...
 Porque foste tu, és tu, serás tu. Nós, juntos. E ninguém no mundo pode mudar isso.

Tenho medo sim, que encontres alguém melhor... não sei , com mais maturidade do que eu, com menos orgulho, mais experiência e menos ciúmes. Alguém que não seja um problema para ti. Alguém que facilite as coisas, em vez de dificultar mais ainda, e que saiba as coisas certas para dizer, na hora certa. Alguém que respeite teu tempo e o teu espaço. Mas, a verdade? Encontrar alguém que te ame tanto ou mais do que eu, isso sim vai ser difícil . 

Lembra-te…és tu, e serás sempre tu .


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