sexta-feira, 8 de maio de 2015

Bem me quer , mal me quer

Eles amam-se toda a gente sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua a viver a sua vida idealizada e ela continua idealizando a sua vida. Alguns dizem que jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é difícil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles.  
E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso . Sobre eles, nunca ninguém vai saber de tudo. Ele acredita que ninguém pode mudar uma pessoa, ele acredita que alguém pode ser a razão pela qual uma pessoa muda.Faltam-lhes as palavras, explicações, pedidos de desculpa. Falta tanta coisa para sentir o que um dia sentiram. Falta coragem de assumir, coragem de esquecer, coragem de fazer diferente mesmo quando o que se sente continua igual.
Ela pode estar a ver as fotos dele neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes perderam-se. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que ela faz às escondidas, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passe a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto ela gostava disso. Ou percorra trajetos que eram dela, na tentativa de não deixar que se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar nela. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler bilhetes dela. Ela pode procurar o cheiro dele em outros cheiros. Ele pode ouvir as músicas, procurar a voz em outras vozes. 
Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que ela faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Ela não sabe, ele não sabe, mas ambos queriam. Ele é o rapaz com quem ela quer passar aquele tão sonhado verão em Paris. Ela é a tal que ele deseja mas não diz a ninguém. Ela confessa que tem medo de o encontrar por aí e que veja que o tempo que passou foi em vão. Para ele tudo o que aconteceu não modifica nada, a não ser as pontadas frias que o coração por vezes lhe lembra de dar. Ela só quer que ele lhe olhe nos olhos e que veja que sempre esteve à sua espera, mesmo quando por momentos ele se esqueceu dela. 
Ele tem medo de dizer tudo o que está engasgado, porque sabe que ela ficaria indefesa às suas palavras. Ela tem vontade de o acompanhar, e ele de a ter. Ela não o quer deixar, ele quer que cuide dele. Ela passa quieta por ele, e ele quieto por ela e ambos sabem que é ridículo. Ele sabe que se a noite falasse ela lhe iria contar quantas vezes o chamou, as estrelas lhe iriam contar quantas vezes pensaram nele, a almofada lhe iria contar quantas lágrimas foram derramadas. Ela sabe que os amigos lhe iriam dizer o quanto ele sofria quando alguém sem querer tocava no nome dela, quantas vezes ele fugia do assunto com aquele nó na garganta querendo, porém, não poder chorar. Agora eles sabem que por mais que o tempo se vá, as lembranças do passado sempre ficam e lá fica ela à espera, só para ter saudade.




Talvez, ele volte. 

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